{"id":3072,"date":"2021-08-10T05:47:42","date_gmt":"2021-08-10T08:47:42","guid":{"rendered":"https:\/\/natureup.com\/brnews\/?p=3072"},"modified":"2021-08-10T06:04:21","modified_gmt":"2021-08-10T09:04:21","slug":"alerta-final-o-mundo-como-conhecemos-deixara-de-existir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/natureup.com\/brnews\/2021\/08\/alerta-final-o-mundo-como-conhecemos-deixara-de-existir\/","title":{"rendered":"ALERTA FINAL: O mundo como conhecemos deixar\u00e1 de existir."},"content":{"rendered":"\n<p>O mais completo relat\u00f3rio de clima j\u00e1 produzido e divulgado hoje pelo IPCC prev\u00ea cen\u00e1rios sombrios para o futuro da humanidade. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que o estrago est\u00e1 feito e as consequ\u00eancias ser\u00e3o sentidas por at\u00e9 mil\u00eanios. A boa \u00e9 que ainda h\u00e1 tempo de evitar o pior.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Um \u201cc\u00f3digo vermelho\u201d para a humanidade. O mais completo, robusto e detalhado relat\u00f3rio cient\u00edfico j\u00e1 produzido pela ci\u00eancia sobre o clima do planeta foi divulgado nesta segunda-feira pelo Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) e as conclus\u00f5es e cen\u00e1rios s\u00e3o alarmantes. Se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 preocupado sobre o clima, deveria come\u00e7ar a se preocupar. E, se j\u00e1 est\u00e1 preocupado, saiba que o futuro que se desenha sem uma revers\u00e3o do curso atual ser\u00e1 pior que o imaginado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O planeta est\u00e1 aquecendo t\u00e3o rapidamente que os cientistas agora dizem que cruzaremos um limiar crucial de aumento da temperatura planet\u00e1ria j\u00e1 em 2030, uma d\u00e9cada mais cedo do que se pensava anteriormente. As concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera eram maiores em 2019 do que em qualquer momento em pelo menos dois milh\u00f5es de anos, e os \u00faltimos 50 anos tiveram um aumento da temperatura na Terra sem precedentes em pelo menos dois mil anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os eventos clim\u00e1ticos e meteorol\u00f3gicos est\u00e3o se tornando mais comuns e severos, e o aumento do n\u00edvel do mar j\u00e1 come\u00e7a a inundar algumas \u00e1reas costeiras com regularidade. O tempo para cumprir as metas do Acordo Clim\u00e1tico de Paris e evitar os piores cen\u00e1rios futuros est\u00e1 cada vez mais escasso.<\/p>\n\n\n\n<p>Escrito por mais de 230 cientistas renomados de pa\u00edses ao redor do mundo, os alertas fazem parte do Sexto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC (IPCC AR6), o primeiro deste tipo desde 2013. \u00c9 o relat\u00f3rio clim\u00e1tico mais significativo publicado em anos pela comunidade cient\u00edfica internacional. Trata-se da s\u00edntese de mais de 14.000 cita\u00e7\u00f5es de pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma verdadeira enciclop\u00e9dia do clima, um documento com riqueza de detalhes e profundidade como jamais se viu na ci\u00eancia meteorol\u00f3gica, um resumo do mais recente consenso cient\u00edfico sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o que o futuro prenuncia, mediante modelos clim\u00e1ticos dos mais sofisticados e do conhecimento das condi\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo de 20 anos a partir de agora at\u00e9 2040 ser\u00e1 o primeiro a atingir ou superar a meta do acordo de Paris de limitar o aquecimento do planeta a 1,5\u00baC em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-industrial. Mesmo sob o cen\u00e1rio mais baixo de futuras emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, o limite seria excedido por um breve per\u00edodo de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas redu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, acentuadas e sustentadas das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, at\u00e9 valores l\u00edquidos zero e eventualmente l\u00edquidos negativos, poderiam evitar que as marcas de 1,5\u00baC ou 2\u00b0C de aquecimento fossem evitadas no longo prazo. O mundo j\u00e1 aqueceu 1,1\u00b0C em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia de 1850-1900.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"853\" src=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1024x853.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3077\" srcset=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1024x853.png 1024w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-300x250.png 300w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-768x640.png 768w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-150x125.png 150w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-450x375.png 450w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1200x999.png 1200w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021.png 1400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sem influ\u00eancia humana, a temperatura nas \u00faltimas d\u00e9cadas no planeta teria pouco variado e a Terra at\u00e9 teria esfriado um pouco | IPCC<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m observa que muitos dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas at\u00e9 2050 j\u00e1 s\u00e3o inevit\u00e1veis pelas emiss\u00f5es que j\u00e1 foram feitas e alcan\u00e7aram a atmosfera, mas observa que ainda h\u00e1 tempo para reduzir significativamente os impactos clim\u00e1ticos no final deste s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, o estrago j\u00e1 foi feito, mas ainda \u00e9 poss\u00edvel evitar o pior. A mudan\u00e7a de linguagem e perspectiva \u00e9 clara. Em compara\u00e7\u00e3o com seu primeiro relat\u00f3rio, em 1990, a nova avalia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica do IPCC reflete a transi\u00e7\u00e3o do aquecimento global como um problema futuro distante para uma crise na atualidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"463\" src=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_2-1024x463.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3079\" srcset=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_2-1024x463.jpeg 1024w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_2-300x136.jpeg 300w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_2-768x347.jpeg 768w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_2-150x68.jpeg 150w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_2-450x203.jpeg 450w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_2-1200x543.jpeg 1200w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_2.jpeg 1400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Aquecimento atinge todas as regi\u00f5es do planeta | IPCC<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas sabem desde o s\u00e9culo 19 que gases do efeito estufa como o di\u00f3xido de carbono aquecem o planeta ao reter o calor. Na d\u00e9cada de 1960 j\u00e1 era claro para muitos cientistas, e at\u00e9 mesmo para grandes empresas de petr\u00f3leo em seus documentos internos, que o aumento dos gases estufa atmosf\u00e9ricos por meio da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis traria conseq\u00fc\u00eancias prejudiciais para o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que os sinais das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se tornaram mais evidentes, a comunidade internacional concordou em se unir para enfrentar a amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1988, o Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) foi formado pela Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) e o Programa Ambiental da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00f3rg\u00e3o intergovernamental, \u00e9 formado por cientistas e representantes pol\u00edticos que t\u00eam a miss\u00e3o de fornecer ao mundo ci\u00eancia objetiva sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e delinear riscos, impactos e respostas.<\/p>\n\n\n\n<p>O IPCC produziu relat\u00f3rios de avalia\u00e7\u00e3o abrangentes com intervalos de anos, come\u00e7ando em 1990, entretanto com outros relat\u00f3rios especiais intermedi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como na extensa avalia\u00e7\u00e3o (AR5) publicada no ano de 2013, o relat\u00f3rio de 2021 n\u00e3o deixa qualquer margem para c\u00e9ticos, afirmando que \u00e9 \u201cinequ\u00edvoco\u201d que as a\u00e7\u00f5es humanas aqueceram o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMudan\u00e7as generalizadas e r\u00e1pidas\u201d j\u00e1 ocorreram e o impacto \u00e9 cada vez mais sentido em todo o mundo. \u201cIndicadores em grande escala de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na atmosfera, oceano e criosfera [\u00e1reas congeladas] est\u00e3o atingindo n\u00edveis e mudando em taxas nunca vistos em s\u00e9culos a muitos milhares de anos\u201d, dizem os autores do relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00cdVEIS DE DI\u00d3XIDO DE CARBONO<br>Os n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera s\u00e3o maiores hoje do que em qualquer \u00e9poca dos \u00faltimos dois milh\u00f5es de anos. Para o metano, o n\u00edvel atual \u00e9 sem precedentes em ao menos 800 mil anos. E a taxa de aumento dos gases de efeito estufa excede todas as mudan\u00e7as naturais durante o mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>AQUECIMENTO PLANET\u00c1RIO<br>Como resultado, as temperaturas nos \u00faltimos 50 anos aumentaram a uma taxa mais r\u00e1pida do que em qualquer momento nos \u00faltimos 2.000 anos. A temperatura m\u00e9dia da superf\u00edcie global foi 1,1\u00b0C mais alta em 2011-2020 do que no per\u00edodo de 1850-1900 (antes que a ind\u00fastria humana come\u00e7asse a aquecer o planeta), com aquecimento mais forte sobre \u00e1reas de terra (1,6\u00b0C) do que sobre o oceano (0,9\u00b0C). \u00c9 muito prov\u00e1vel que a d\u00e9cada mais recente (2011-2020) seja t\u00e3o quente quanto qualquer per\u00edodo desde o \u00faltimo interl\u00fadio entre a Idade do Gelo e 125.000 anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>DEGELO<br>O aquecimento do planeta est\u00e1 derretendo o gelo a taxas sem precedentes nos tempos modernos. A cobertura de gelo do mar \u00c1rtico no final do ver\u00e3o \u00e9 menor do que em qualquer \u00e9poca dos \u00faltimos mil anos. O recuo das geleiras n\u00e3o tem precedentes nos \u00faltimos dois mil anos com quase todas as geleiras do mundo recuando desde a d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n\n\n\n<p>AUMENTO DO N\u00cdVEL DO MAR<br>Os gases de efeito estufa, aquecimento do planeta e derretimento do gelo da Terra est\u00e3o a provocar grandes mudan\u00e7as nos oceanos. A taxa de aumento do n\u00edvel do mar \u00e9 hoje a mais alta em pelo menos tr\u00eas mil anos. O n\u00edvel m\u00e9dio global do mar cresce cada vez mais e est\u00e1 acelerando. A taxa de aumento foi de 1,3 mm por ano entre 1901 e 1971, mas aumentou para 3,7 mm por ano entre 2006 e 2018. Cerca de 90% do excesso de calor aprisionado no sistema terrestre \u00e9 armazenado nos oceanos. Como resultado, o oceano est\u00e1 ganhando calor mais r\u00e1pido do que em qualquer momento desde o final da \u00faltima Idade do Gelo.<\/p>\n\n\n\n<p>ACIDIFICA\u00c7\u00c3O DOS OCEANOS<br>O di\u00f3xido de carbono se dissolve na \u00e1gua do mar e torna o oceano mais \u00e1cido, o que representa uma amea\u00e7a para os corais e outras formas de vida marinha. A acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos est\u00e1 agora em n\u00edveis \u201cincomuns nos \u00faltimos dois milh\u00f5es de anos\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>EVENTOS EXTREMOS<br>A discuss\u00e3o sobre condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas extremas \u00e9 uma grande parte do relat\u00f3rio deste ano e que \u00e9 claro: \u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica induzida pelo homem j\u00e1 est\u00e1 afetando muitos climas e extremos clim\u00e1ticos em todas as regi\u00f5es do globo\u201d. O aquecimento traz mais ondas de calor, fortes precipita\u00e7\u00f5es, aumentos nos furac\u00f5es mais intensos, secas e os chamados eventos compostos em que o impacto de v\u00e1rios desastres se acumula.<\/p>\n\n\n\n<p>E o relat\u00f3rio avisa que o pior est\u00e1 por vir. Com 1,5\u00baC de aquecimento global \u2013 um n\u00edvel que provavelmente ser\u00e1 atingido em 2030 \u2013 o documento afirma que devemos esperar ver \u201ceventos extremos sem precedentes no registro de observa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>ONDAS DE CALOR<br>As ondas de calor t\u00eam a conex\u00e3o mais \u00f3bvia com o aquecimento global. Eles se tornaram \u201cmais frequentes e mais intensas na maioria das \u00e1reas do planeta desde 1950\u201d, diz o relat\u00f3rio. Extremos recentes teriam sido \u201cextremamente improv\u00e1veis \u200b\u200bde ocorrer sem a influ\u00eancia humana no sistema clim\u00e1tico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento tamb\u00e9m observa que as ondas de calor marinhas \u2013 temperaturas excepcionalmente altas em \u00e1guas oce\u00e2nicas \u2013 quase dobraram desde a d\u00e9cada de 1980, com impress\u00f5es digitais humanas na maioria delas.<\/p>\n\n\n\n<p>CHUVA<br>\u00c0 medida que a temperatura do ar aumenta, a atmosfera pode reter mais umidade e, assim, produzir chuvas mais intensas. Como resultado, os eventos de precipita\u00e7\u00e3o muito intensa aumentaram em frequ\u00eancia e intensidade desde 1950.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um risco muito alto para grandes cidades que sofrem com alagamentos ou inunda\u00e7\u00f5es repentinas. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m est\u00e1 contribuindo para as secas, muitas vezes por causa do aquecimento que leva ao aumento da evapora\u00e7\u00e3o dos solos e da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>CICLONES TROPICAIS<br>Com temperaturas mais altas do oceano e mais umidade atmosf\u00e9rica dispon\u00edvel, ciclones tropicais e furac\u00f5es est\u00e3o passando por mudan\u00e7as. A propor\u00e7\u00e3o global de grandes tempestades (categorias 3 a 5) aumentou nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m aumenta a forte precipita\u00e7\u00e3o associada a elas.<\/p>\n\n\n\n<p>OS IMPACTOS NO BRASIL<br>Os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas devem se tornar ainda mais dram\u00e1ticos no Brasil nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas com condi\u00e7\u00f5es extremas cada vez mais freq\u00fcentes na temperatura e no regime de chuva. Em qualquer dos cen\u00e1rios apresentados pelo IPCC, haver\u00e1 impactos e negativos no pa\u00eds, mas sob o pior cen\u00e1rio de aquecimento de at\u00e9 4\u00baC elas podem ser de enorme gravidade no territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3-780x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3080\" srcset=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3-780x1024.jpeg 780w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3-228x300.jpeg 228w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3-768x1009.jpeg 768w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3-1169x1536.jpeg 1169w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3-150x197.jpeg 150w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3-450x591.jpeg 450w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3-1200x1576.jpeg 1200w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_3.jpeg 1400w\" sizes=\"(max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Todas as regi\u00f5es do Brasil devem experimentar um aumento da temperatura m\u00e9dia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas sob qualquer dos cen\u00e1rios apresentados pelo relat\u00f3rio, do otimista ao pior. O aquecimento seria maior principalmente no Norte, no Centro-Oeste e no Nordeste do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas mesmas regi\u00f5es experimentariam tamb\u00e9m um significativo decr\u00e9scimo da chuva, o que levaria a secas muito mais freq\u00fcentes, severas e duradouras e traria conseq\u00fc\u00eancias em grande escala para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, especialmente considerando que estas regi\u00f5es s\u00e3o as que mais apresentam crescimento de \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, a diminui\u00e7\u00e3o da chuva levaria a um maior processo de desertifica\u00e7\u00e3o em diversas regi\u00f5es, o que tem efeitos de maior escala no Nordeste. Na Amaz\u00f4nia, a maior presen\u00e7a de gases estufa na atmosfera poderia reduzir o crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o e ainda o clima quente e mais seco traria um grande impacto na floresta, dependente de chuva mais abundante.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"616\" src=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_4-1024x616.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3081\" srcset=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_4-1024x616.jpeg 1024w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_4-300x180.jpeg 300w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_4-768x462.jpeg 768w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_4-150x90.jpeg 150w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_4-450x271.jpeg 450w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_4-1200x722.jpeg 1200w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_4.jpeg 1400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o da chuva \u00e9 uma grave amea\u00e7a para o futuro da Amaz\u00f4nia | IPCC<\/p>\n\n\n\n<p>No Sul do Brasil, ao contr\u00e1rio, al\u00e9m do clima mais quente, a tend\u00eancia pelas proje\u00e7\u00f5es do IPCC para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas \u00e9 de um aumento da chuva. Isso pode levar a epis\u00f3dios de enchentes mais freq\u00fcentes e a maior presen\u00e7a de umidade na atmosfera com ar mais quente pode induzir uma maior ocorr\u00eancia de epis\u00f3dios de tempestades severas.<\/p>\n\n\n\n<p>CEN\u00c1RIOS CLIM\u00c1TICOS FUTUROS: QUANTO MAIS QUENTE?<br>Para cada ciclo de avalia\u00e7\u00e3o do IPCC, um conjunto de modelos clim\u00e1ticos \u00e9 executado para ajudar a projetar nosso clima em mudan\u00e7a no futuro. Com o passar dos anos, esses modelos se tornaram mais sofisticados e com resolu\u00e7\u00e3o mais alta. O esfor\u00e7o \u00e9 denominado Coupled Model Intercomparison Project (CMIP6), composto por cerca de 100 modelos clim\u00e1ticos de 50 diferentes grupos internacionais de modelagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande avan\u00e7o feito para o relat\u00f3rio deste ano \u00e9 o estreitamento da faixa de aquecimento projetada a partir da duplica\u00e7\u00e3o das concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera \u2013 um conceito denominado Sensibilidade Clim\u00e1tica de Equil\u00edbrio (ECS). No relat\u00f3rio anterior, o ECS variou entre 1,5\u00b0C e 4,5\u00b0C, logo uma uma incerteza muito grande que geraria resultados clim\u00e1ticos completamente diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, por meio da an\u00e1lise do resultado do modelo aprimorado, os cientistas foram capazes de reduzir a incerteza do ECS a uma melhor estimativa de 3\u00b0 C de aquecimento com uma faixa prov\u00e1vel de 2,5\u00b0 C a 4\u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diferentes cen\u00e1rios de aquecimento at\u00e9 o final deste s\u00e9culo | IPCC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para este ciclo de relat\u00f3rio, os modeladores executaram um conjunto de cinco cen\u00e1rios de emiss\u00f5es para explorar como o clima provavelmente responder\u00e1 a v\u00e1rios n\u00edveis de gases do efeito estufa, diferen\u00e7as no uso da terra e polui\u00e7\u00e3o do ar. Os modelos tamb\u00e9m levam em considera\u00e7\u00e3o o impacto potencial da atividade solar e dos vulc\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o IPCC n\u00e3o pondere sobre a plausibilidade de nenhum cen\u00e1rio, \u00e9 geralmente entendido que os cen\u00e1rios de emiss\u00f5es mais baixas e mais altas s\u00e3o improv\u00e1veis \u200b\u200be atuam como um limite inferior e superior em poss\u00edveis futuros clim\u00e1ticos. Tudo depende do que a humanidade faz ou deixa de fazer para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses modelos, o relat\u00f3rio conclui que a temperatura global da superf\u00edcie continuar\u00e1 a aumentar at\u00e9 pelo menos meados deste s\u00e9culo em todos os cen\u00e1rios de emiss\u00f5es. As metas de aquecimento global de n\u00e3o mais que 1,5\u00b0C ou 2\u00b0C acima da m\u00e9dia pr\u00e9-industrial \u2013 a meta do Acordo de Paris \u2013 ser\u00e3o excedidas durante este s\u00e9culo, a menos que haja \u201credu\u00e7\u00f5es profundas de di\u00f3xido de carbono e outras emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma ampla gama de aquecimento poss\u00edvel dependendo de qual cen\u00e1rio mais se aproxima da realidade. Em um cen\u00e1rio onde as emiss\u00f5es de CO2 s\u00e3o drasticamente e rapidamente reduzidas, o aquecimento pode ficar pr\u00f3ximo da meta de 1,5\u00b0C, mas para um cen\u00e1rio de emiss\u00f5es muito altas, \u00e9 poss\u00edvel um aquecimento t\u00e3o alto quanto catastr\u00f3ficos 5,7\u00b0C, o que tornaria parte do planeta inabit\u00e1vel. Os especialistas concordam que ambos os cen\u00e1rios s\u00e3o muito improv\u00e1veis. O resultado mais prov\u00e1vel \u00e9 um cen\u00e1rio intermedi\u00e1rio de aquecimento pr\u00f3ximo a 3\u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00c1rtico, que j\u00e1 est\u00e1 aquecendo a uma taxa tr\u00eas vezes maior que a m\u00e9dia, continuar\u00e1 na lideran\u00e7a. E as \u00e1reas terrestres \u2013 onde as pessoas vivem \u2013 continuar\u00e3o a aquecer mais r\u00e1pido do que o oceano, com regi\u00f5es afetadas de maneiras diferentes. No geral, a Terra ficar\u00e1 mais \u00famida, mas algumas \u00e1reas sofrer\u00e3o maior secura.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas tend\u00eancias \u00famidas e secas geralmente t\u00eam sido consistentes ao longo de d\u00e9cadas de modelagem clim\u00e1tica. Isso se deve a uma intensifica\u00e7\u00e3o do ciclo da \u00e1gua e aos padr\u00f5es clim\u00e1ticos prevalecentes. As altas latitudes e as \u00e1reas de mon\u00e7\u00f5es da \u00c1frica e da \u00cdndia ficar\u00e3o mais \u00famidas, o que significa inunda\u00e7\u00f5es em \u00e1reas menos preparadas para esses extremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, as \u00e1reas vulner\u00e1veis \u200b\u200bao estresse h\u00eddrico e ao fogo continuar\u00e3o a mergulhar cada vez mais na seca. Essas \u00e1reas incluem o Sudoeste dos Estados Unidos, Am\u00e9rica Central, Amaz\u00f4nia, Sul da \u00c1frica, Mediterr\u00e2neo e Oriente M\u00e9dio. Todas essas \u00e1reas enfrentaram escassez de \u00e1gua e inc\u00eandios florestais descontrolados e essa tend\u00eancia vai continuar com tend\u00eancia de piora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que as temperaturas aumentam, as condi\u00e7\u00f5es extremas se tornam mais prov\u00e1veis, em alguns casos em um ritmo acelerado. Isso \u00e9 especialmente verdadeiro para extremos de clima quente. Tanto a frequ\u00eancia quanto a intensidade das ondas de calor continuar\u00e3o a aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eventos de calor extremo como o que uma regi\u00e3o espera experimentar uma vez a cada 50 anos agora podem se dar a cada poucos anos e o intervalo diminui ainda mais conforme o aquecimento continua.<\/p>\n\n\n\n<p>A precipita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem uma conex\u00e3o direta com a temperatura da atmosfera e o relat\u00f3rio indica que os eventos de precipita\u00e7\u00e3o intensa continuar\u00e3o a aumentar em intensidade e frequ\u00eancia. Como um clima mais quente intensifica o ciclo da \u00e1gua, n\u00e3o s\u00e3o apenas os eventos de forte precipita\u00e7\u00e3o que aumentar\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As secas tamb\u00e9m. Embora a precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia aumente na maioria dos lugares, a chuva deve ocorrer em eventos extremos de altos volumes e n\u00e3o em chuvas moderadas que se espalham ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"736\" src=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_6-1024x736.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3082\" srcset=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_6-1024x736.jpeg 1024w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_6-300x216.jpeg 300w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_6-768x552.jpeg 768w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_6-150x108.jpeg 150w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_6-450x323.jpeg 450w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_6-1200x862.jpeg 1200w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc_2021_6.jpeg 1400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Aquecimento ser\u00e1 maior no \u00c1rtico, Hemisf\u00e9rio Norte e em \u00e1reas de terra ao passo que a chuva aumentar\u00e1 nas latitudes altas e diminuir\u00e1 nos subtr\u00f3picos | IPCC<\/p>\n\n\n\n<p>O maior impacto na seca ocorre porque mais energia t\u00e9rmica no sistema significa maior evapora\u00e7\u00e3o, secando a vegeta\u00e7\u00e3o e os solos. Com o aquecimento maior, chuvas intensas e eventos de seca que seriam esperados apenas uma vez a cada dez anos em uma determinada regi\u00e3o tamb\u00e9m acontecer\u00e3o com mais frequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas regi\u00f5es mais frias, o aquecimento adicional significar\u00e1 obviamente o degelo amplificado do permafrost e a perda da cobertura de neve sazonal, gelo terrestre e marinho. Em todos os cen\u00e1rios de emiss\u00f5es, o \u00c1rtico provavelmente estar\u00e1 praticamente livre de gelo marinho em setembro (quando atinge seu m\u00ednimo anual) pelo menos uma vez antes de 2050.<\/p>\n\n\n\n<p>Para agravar o impacto do derretimento do gelo est\u00e1 o fato de que o gelo reflete os raios do sol de volta ao espa\u00e7o, de modo que a perda de gelo atua como um ciclo de feedback, acelerando o aquecimento. O degelo do permafrost libera gases de efeito estufa h\u00e1 muito aprisionados, outro mecanismo de feedback que aumentar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja necess\u00e1rio limitar o aquecimento para preservar a capacidade da Terra de sustentar a vida no futuro, existem certas mudan\u00e7as j\u00e1 embutidas no sistema que s\u00e3o irrevers\u00edveis em escalas de tempo de s\u00e9culos. Mesmo se par\u00e1ssemos de aquecer hoje, os mares continuar\u00e3o subindo e o gelo continuar\u00e1 derretendo porque o oceano armazena, circula e libera calor por per\u00edodos muito mais longos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO n\u00edvel do mar est\u00e1 comprometido a subir por s\u00e9culos a mil\u00eanios devido ao cont\u00ednuo aquecimento do oceano profundo e derretimento da camada de gelo, e permanecer\u00e1 elevado por milhares de anos\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A Paleoclimatologia mostra em registros como n\u00facleos de gelo, an\u00e9is de \u00e1rvores e sedimentos oce\u00e2nicos que entre 125 mil anos atr\u00e1s e a Idade do Gelo, os n\u00edveis do mar eram muito mais altos do que hoje, mas as temperaturas eram praticamente as mesmas de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso leva \u00e0 conclus\u00e3o de que, por meio do derretimento cont\u00ednuo do gelo, os mares continuar\u00e3o a subir por centenas de anos, eventualmente atingindo os n\u00edveis vistos pela \u00faltima vez durante esse per\u00edodo, o que inundaria cidades costeiras como algumas capitais do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O CEN\u00c1RIO DO FILME DE CAT\u00c1STROFE<br>Talvez o aspecto mais preocupante do relat\u00f3rio venha em sua an\u00e1lise dos chamados eventos de baixa probabilidade, mas de alto impacto, como o colapso do manto de gelo ou uma altera\u00e7\u00e3o abrupta na circula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a probabilidade ou o tempo dessas ocorr\u00eancias n\u00e3o possam ser previstos com qualquer grau de precis\u00e3o, o relat\u00f3rio diz que tais ocorr\u00eancias n\u00e3o podem ser descartadas e devem fazer parte de nossa avalia\u00e7\u00e3o de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo de tal evento \u00e9 um ponto de inflex\u00e3o potencial no sistema atual do Oceano Atl\u00e2ntico, conhecido como Atlantic Meridional Overturning Circulation, ou AMOC, que tem enfraquecido ou possivelmente at\u00e9 mesmo caminhando para o colapso. \u00c9 o cen\u00e1rio de colapso clim\u00e1tico do filme O Dia Depois de Amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"853\" src=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1-1024x853.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3083\" srcset=\"https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1-1024x853.png 1024w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1-300x250.png 300w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1-768x640.png 768w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1-150x125.png 150w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1-450x375.png 450w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1-1200x999.png 1200w, https:\/\/natureup.com\/brnews\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ipcc-2021-1.png 1400w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O sistema, que circula \u00e1guas mais quentes dos tr\u00f3picos para o Norte e envia \u00e1gua mais fria para o Sul em correntes mais profundas, tem efeitos de longo alcance nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos em grandes por\u00e7\u00f5es do globo.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com isso vem crescendo. H\u00e1 apenas alguns anos, o IPCC avaliou que um colapso nesta circula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica muito importante n\u00e3o seria prov\u00e1vel por centenas de anos, mas desta vez eles n\u00e3o t\u00eam tanta certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, os autores dizem que o AMOC \u00e9 \u201cmuito prov\u00e1vel que enfraque\u00e7a ao longo do s\u00e9culo 21 para todos os cen\u00e1rios de emiss\u00e3o\u201d, e eles s\u00f3 podem dizer que \u201ch\u00e1 uma confian\u00e7a m\u00e9dia de que n\u00e3o haver\u00e1 um colapso abrupto antes de 2100\u201d. Se tal colapso ocorresse, provavelmente causaria mudan\u00e7as dr\u00e1sticas nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos regionais e no ciclo da \u00e1gua, causando impactos generalizados e significativos sobre as chuvas e a seca em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Postado por <a href=\"https:\/\/metsul.com\/maior-relatorio-do-clima-da-historia-e-o-alerta-final-a-humanidade\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/metsul.com\/maior-relatorio-do-clima-da-historia-e-o-alerta-final-a-humanidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MetSul<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais completo relat\u00f3rio de clima j\u00e1 produzido e divulgado hoje pelo IPCC prev\u00ea cen\u00e1rios sombrios para o futuro da humanidade. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que o estrago est\u00e1 feito e as consequ\u00eancias ser\u00e3o sentidas por at\u00e9 mil\u00eanios. A boa \u00e9 que ainda h\u00e1 tempo de evitar o pior. 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